O que é exercício intuitivo?

A minha pesquisa sobre o assunto começou depois de um convite para escrever um capítulo para o livro Nutrição Comportamental. O despertar pela busca do termo exercício intuitivo foi inspirado no conceito de Intuitive Eating criado pelas nutricionistas Evelyn Tribole e Elyse Resch. Traduzido como comer intuitivo, o conceito envolve dez princípios com objetivo de afinar a integração entre a comida, a mente e o corpo.

Nesse sentido, busquei algo semelhante porém voltado para o exercício físico. Meu primeiro achado foi um artigo de 2003 de uma revista chamada Hope and Healing. É uma publicação de um centro de tratamento para transtornos alimentares dos Estados Unidos, no qual os profissionais Nancy Heiber e Michael Berrett propõem uma reflexão sobre a prática de um exercício intuitivo.
De acordo com os autores, pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno alimentar estão mais suscetíveis a praticar exercícios de maneira compulsiva, o que prejudica a saude física, mental e espiritual. A prática do exercício intuitivo poderia melhorar a qualidade de vida e trazer bem-estar.

O exercício intuitivo trata-se de uma atitude perante a si próprio sobre o exercício que está sendo praticado. Quando você está com a mente integrada ao corpo durante o seu momento de exercício, isto é, quando você está presente, com atenção plena voltada para a atividade que seu corpo está desenvolvendo, você será capaz de sentir se seu corpo e dosar sabiamente a quantidade.

E essa quantidade refere-se tanto ao tempo de duração da sua atividade quanto à intensidade do seu esforço. Por exemplo, se você tem o hábito de praticar corrida e está integrado (mente e corpo), conectado consigo próprio, você sentirá o seu nível de disposição e poderá escolher se naquele momento está apto a correr ou a fazer apenas uma caminhada. E mesmo se decidir correr, entender o quanto conseguirá dar conta naquele dia, ou seja, se programou correr 30 minutos, fique atento aos sinais do seu corpo para escolher e avaliar se é possível conseguir completar a meta, fazer um pouco mais ou praticar menos tempo e deixar a meta para um outro dia que estiver com maior disposição.

Portanto, o exercício intuitivo não é uma modalidade esportiva ou fitness. Trata-se de uma atitude em fazer uma espécie de “consulta” a si mesmo com objetivo de verificar se está
exagerando na quantidade do seu treino porque está obcecado por um objetivo.

Detalharei mais sobre o assunto no próximo post!

Referencias:

Hieber N, Berrett ME. Intuitive exercise. Hope and Healing 2003; 8:7-10.
Teixeira PC et al. Nutrição comportamental e atividade física. In Alvarenga M, et al. Nutrição Comportamental. São Paulo: Manole, 2015; 465-84.
Alvarenga M e Figueiredo M. Comer Intuitivo. In Alvarenga M, et al. Nutrição Comportamental.  São Paulo: Manole, 2015; 237-62.
Tribole E, Resch E. Intuitive Eating: a revolutionary program that works. New York: ST. Martin’s Griffin, 2012.

Agradecimentos!
Obrigada a Ana Carolina Pereira Costa por me incentivar e me inspirar.
E obrigada também a Marle Alvarenga por ter dado a orientação que me fez chegar a esse assunto.